Trapobana

Sexta-feira, Maio 14

Um porto de garda

Comunicam-me a presença de Trapobana no Anxos de Garda desta semana. Mais umha vez penso que tenho na Ilha visitantes verdairamente ilustres, que acho nom merecer.
A presença de Anjos nestas costas já me é conhecida de há bastante tempo, realmente. Mas nom deixo de me surpreender e de me encher de orgulho cada vez que di que gosta dalgum post, que me lembra que vém de visita.
Eu há muito também que lhe sigo a escrita, e nom negarei a sua responsabilidade (onda a doutra gente) à hora de me animar a povoar este recanto. Anjos de Garda tem-se-me convertido num dos poucos portos seguros na navigaçom. Num desses escasos lugares nos que tenhem o protagonismo as cousas pequenas de que tanto gosto.
Obrigado pois, mais umha vez.

(Para os que venham novos hoje através dela, fica ai embaixo mais umha pequena justificaçom sobre Trapobana).

posted by Sao Tomé 22:29

Autojustificaçom VII: Geografias de Trapobana



Seja que nom há haja, seja que é navegante, a Ilha Trapobana tem a propriedade de ter sido vista em zonas muito diferentes do Oceano Índico. Embora a maior parte das informações coincidem em assinalar que o nome era aplicado antigamente à Ilha de Ceilám, actual Sri Lanka, nom deixa de haver datos que a situam em Sumatra ou mesmo justo ao Norte de Madagascar. A presença da Ilha vem já de velho, dos tempos de Plínio e de Ptolomeo, que aplicavam o nome a umha grande Ilha situada a Oriente e da que hoje nada de sabe.
Algumhas das fontes em que se basseam os dados de Trapobana som para estar orgulhoso de ter esta moradia. "Os Lusíadas", "O Quixote", "A mil e umha noites" ou vários textos do Senhor Dom Álvaro som algumhas das excelsas obras que, dum jeito ou doutro, se ocupam desta Ilha.

E é que, para além de visitantes ilustras, atopo aos poucos que a Ilha tem umha história que mesmo à vezes fai-se-me grande de mais para mim.
posted by Sao Tomé 21:54

(Acotaçom XXVI: Acçom de graças)

< Som as oito e meia da tarde. Ainda vai sol. Baixando por Casas Reais, à altura da casa modernista, escuito-lhe dizer a Íria palavras polas que levo pregando desde há anos. Ajeonlho-me no chao no meio da rua e olhando ao céu berro "aleluia!, por fim!" e cousas no estilo:
A menina semelha que se reconcília por fim com essa parte de si mesma, e custa-me reter as bágoas.
(Som-che as cousas de querer a gente mais do que ela mesma se quer, o que semelha ser um dos meus grandes problemas).
Em fim: A quem for responsável, fago-lhe acçom de graças (e como dim por ai: graças, as que ela tem). >


posted by Sao Tomé 18:08

Quinta-feira, Maio 13

Voando vou

A vida continua co seu ritmo acelerado. Por fortuna conto com boas companhas às que saudar nas curvas ou nos pequenos semáforos que encontro entre carreira e carreira.
Nalgum desses semáforos, atopo-me brevemente co sorriso beatífico de Carmela (grandes som os efectos do porto) e combinamos rapidamente umha viagem a Praga para este verao (grandes som em verdade).
Noutro pequeno intre com Sérgio, damos-lhes voltas aos nossos respectivos avances e retrocessos coas mulheres, por variar (é sabido que, também neste eido, a vida vai em ondas coma o mar).
No concerto Kiko emociona-me (si tu lo quieres, ay por díos, dime que si) e deixa-me coa sensaçom de que foi breve de mais. Polo meio Tino le-me o pensamento e canta em voz alta a versom punçante que tinha na cabeça (si tengo frío, busco candela). O encontro com Isa e a velha Íria (a do sorriso nos olhos), a companha e o demorado caminho para a cama, deixam-me ainda mais paz.
E volto-me deitar tarde, e canso, e sozinho e sem porto e com pouca queixa, agradecendo o bom sentido que nom me permitiu seguir a noite, e pregando-lhe à minha saúde um bocadinho mais de ressistência, que já está, que já passa, que já chegamos aginha
a algumha caste de meta.

posted by Sao Tomé 19:09

Quarta-feira, Maio 12

Dous temas

Deixárom-me ontem na cabeça esta cançom e a promessa de tentar consegui-la na versom de João Gilberto, que agardo impaciente.
Alterna polos pregues cerebrais com estoutra, fruito sem dúvida da visita que nos fai esta noite o Kiko Veneno.

...que sin tu palabra
soy un pescaito
que no tiene río
un niño en la playa
que no tiene arena ni cubito

borra el humo de tu frente
para que salga lo bonito
ese angel chiquitito
que se hace diferente

(Cousas lindas em fim.)
posted by Sao Tomé 18:33

O funil de maio

(No meio das presas, tenho a fortuna de goçar por uns intres da ledízia de Íria, tam estranha nos últimos tempos. Aproveito para a apertar furtivamente. É um desses poucos intres em que se lhe detecta que, mesmo desde dentro do seu sorriso, tem gana de mimos, o que fai o encontro perfeito, em resumo.)



Para além, lembro umha tarde mais, enquanto fago a ceia que compartirei de novo, o importante que é ter cervejas frescas na neveira durante a primavera. Lembro mais umha vez, nas sensações que achega esta estaçom, mais exactamente as da tarde, de anacos de cousas pequenas. Prendo o primeiro incienso no que vai de ano.
E é que este atardecer, coma o de onte já, clama-o: É maio.

Coma parte de notícias: Os sempre acolhedores Tino e Bibi, o rir e fazer rir um bocado com Jandro e Rosa por riba das distáncias e dos problemas. A ceia de ontem co Sérgio a passar o tempo e as risas e a parola até que se nos fai tarde. O retorno com Carol desde o Campus Sul. As habituais conversas com Ana. Os jantares pouco habituais. Meia garrafa de porto e Carmela que marcha tarde de mais pero antes do que desejariamos som algumhas cousas que me levam de volta à minha própria vida (é dizer, que me tiram de estar centrado na tua).

E embora as cousas a fazer nom sejam poucas. Embora tenho depois sono, e dores articulares, e presas e derrotas, acho que nestes dias, coma o Fausto, espreito por um funil a promessa de maio.
Que se cumpra.

posted by Sao Tomé 17:51

Terça-feira, Maio 11

Couselos e Preguntoiros

Deste que falei sobre os Embigos de Venus que (nom) medram nos (meus) telhados, recevim já três informações assinalando que estas prantas respondem em galego (imagino que quando lhes peta responder, que dizia algumha vez o Dario) à denominaçom de couselos. Ainda que menos poético, gosto imenso também deste nome, e como lhe digem a Ana (a primeira das informantes), é umha bonita palavra para lhe chamar a alguém.

Aproveito a ocasom para introduzir um acompanhante que me jurdiu na Ilha, chegado a bordo dumha bala de canom, e que se ofereceu a colaborar na difícil classficaçom das plantas que medram cá e que, (coma Trapobana mesma) nom é que nom as haja...
Deste jeito se me apresentou o bom Botánico:

"Estimado senhor Santome:
Recém caido do céu na ilha que voçê tem nomeado Trapobana, e seguindo o espírito de grandes botânicos que no passado acompanharom aos marinheiros na re-descoberta de novas terras, haverá de me permitir que lhe sejam enviadas as minhas contribuções à descrição da vegetação que cobre a ilha com essa floresta verde e cheia de vida.
Com os melhores cumprimentos,
Botânico Preguntoiro,
Burgau, Algarve."

E deste jeito explica-me a questom dos couselos:
"Caro senhor Santomé:
Escrevo-lhe estas linhas para achegar-lhe um comentário sobre o Umbilicus rupestris que você tem colado no taboleiro de Trapobana. Hei-lhe dizer, com risco de rachar esse "savoir faire" poético que enchoupa cada umha das jornadas em trapobana, que essa pequena planta que tingue de verdor muros e telhados recebe nas terras galegas o nome de couselo, sendo o termo "ombligo de venus" próprio das terras castelhanas, mais empapadas pola ilustração e o legendarismo romano. Agardando a sua compreensão (sinto rachar as conexões com a literatura iberoamericana), despido-me até nova data.
Com os melhores cumprimentos,
Preguntoiro Floral,
Botânico "

Agardo novas apreciações sobre a flora da Ilha. (Para quem esteja interessado, este mesmo botánico já viu recolhida algumha sua aventura com o título de "Impresiones de la Isla". Disponhíveis ainda hoje, domingo a domingo, em "Diário de Ponte Vedra" da mao de Carlos Portela e de Fernando Iglesias. )
posted by Sao Tomé 18:54

Rito anual

Tenho a ideia de que desde que cheguei a Compostela o feche da Feira do Livro converteu-se numha cita inexcussável e tácita de todos os amigos e conhecidos. Todos os anos coincidimos lá na alameda, entre as casetas, a maior parte das veces a chover (nem sempre houvo carpa) agardando polo sorteo final do lote de livros, olhando polas obras últimas que nos resistimos a mercar ao longo da semana.
Aos poucos decato-me de como se poderia fazer umha evoluçom das nossas vidas olhando só esses intres, como a data é já um bocado para mim un intre de olhar atrás (no meio dos maios, sempre revoltos) e fazer balanço, ao jeito dos aniversários vários ou de fim de ano.
Sempre nos atopamos lá, ao cabo. Querendo-o ou sem querer, coincidimos as parelhas, os que já estám sozinhos, os que venhem de rachar, os que se falam e mesmo os que se odeiam. Escuitando os números e agardando polo lote de livros.
Um ano tocou-lhe a alguém, e muito rimos ao descubrir no pacote umha biografia de Manuel Fraga.
Ontem de novo, recém chegado, combino com alguém lá, sabendo que atoparemos a gente toda com a que nom fai falha combinar.
Desta volta também há tensões no ambiente, e mesmo marchámos antes de que remate a cerimónia anual.

No caminho atopamos a Bibi, que vai na busca da sorte e do anceiado lote animada por Tino: ("Vai mulher, nom ves que se nom vas é quando toca?")
Conto-lhe a história do livro de Fraga, e ainda pola noite chama para contar que ganhou.
E que entre os livros, para além de histórias sobre Inês de Castro e Melusina dos Lusignan (a lenda as garde por sempre), estava um engendro titulado "Fraga em América II".
Mais umha história da Feira.
posted by Sao Tomé 03:38

Segunda-feira, Maio 10

Get Back

Volto
(dez graus no exterior)
para me encontrar com a mesma velha tristura. Mais calma agora.



Traio comigo agasalhos para as raparigas desta minha vida.
(Um principezinho com a raposa, que me faga lembrar o importante: o que se ganha com a cor do trigo.
Um monstro de mentira que lembra que sempre há umha menina no interior.
Heroes normalizadores que dançam com o cu ao ar. Cadelos de companhia.)
Traio comigo umha certa calma, a fim dum catarro, pequenas ilusões, ferramentas que agardo me defendam das primaveras mais terríveis.
Traio umha tarde de passeio com esses olhos verdíssimos de há anos, polos que continuo a agardar dalgum jeito e que tam bem prometem lavar as mágoas.
Traio histórias, gentes, algum cansaço, a sensaçom de nom ter sido de abondo, gana de marchar de novo.

Volto (onde algumha vez pertencim).
Dez graus no exterior.

posted by Sao Tomé 20:06

Powered by Blogger

Trapobana nom é que nom a haja, o que se passa é que é navegante, e hoje está cá e manhá acolá... Álvaro Cunqueiro "Si o vello Sinbad volvese ás illas"

Past
current



conta-me algo