Quinta-feira, Maio 6
Que faz o sol
Eu nom sei que faz o sol. A verdade algo estranho deve estar a fazer. Mentres os telhados diante da minha fiestra já estám (como lhe corresponde a este maio) enteiramente floridos, cobertos dum manto cor de rosa que ano a ano se fai mais mesto, no meu nom medra nem o briom, e apenas uns poucos embigos de venus ressistem a pê
(nunca esquezo o nome desta pranta, e a culpa é -por suposto- de Benedetti:
'lo cierto es que el fulano mira su ombligo
por él desciende al mundo / sube al vuelo
pero sólo lo asume con alborozo cuando
le trae nostálgia onfálica de su linda mengana
cuyo pozo de sueño le acerca más delicias
que el ombligo de venus que medra en los tejados'.
'Onfálica').
Sei que noutros anos tenho tirado a cámara e fotografado o assombrosso verdor, os fentos que um dia descobro cá mesmo a carom da minha fiestra e da pantalha do computador.
Mas nom dá, desta volta. Nom sei o quê faz o sol.
Nem tenho claro se, do mesmo jeito que diz a cançom, mais val um bom dessengano que andar enganado sempre.
E valerá.
posted by Sao Tomé 18:08
Quarta-feira, Maio 5
Insánia
Nom tenho visita. Nom rematei todos os asuntos pendentes, mas atopo-me em stand-by. Começo a somatizar estes tempos. Prepara-se um catarro que nom sei se darei evitado. Olho Taxi Driver. Dalgumha maneira flue polos pregues do cérebro algumha esquezida modalidade de endorfina. E é neste cúmulo de circunstáncias desde o que olho a minha insánia. Decato-me de como tenho perdido o controlo dos meus próprios pensamentos. Asusto-me um bocado, mas afortunadamente levo umha vida a me preparar em certo jeito para intres coma este. Som consciente desde há muito tempo de que caminho por um fio e que algum dia veria isto tudo desde a outra beira. Agora.
Tempo de mais sem parar.
Tenho feito da minha vida umha loita polo controlo, polo conhecimento, por evitar situações que me tirem de mim.
Agora estou sentado e olho na pantalha umha temporada que se alongou. Busco as causas mas fundamentalmente sinto as articulações, o cansaço calmo, o baleiro de depois do trevom. Temo as novas mobilizações, as novas ondas.
Fica a constáncia, já temida, já previda, de que a fronteira é estreita. De que sim podo me perder. Semelha que sempre em primavera.
Era visto. Tinha eu pendente um abismo, e veu tocar este. Nem foi para tanto. Procuro estar de volta. Peço desculpas aos afectados. Prego paciência.
Temo também só seja esta umha paréntese de luzidez.
Marcho um bocado.
posted by Sao Tomé 18:08
Terça-feira, Maio 4
Sonhos
Está a me custar muito voltar à realidade. De jeito literal.
Ontem entrei na cama pola tarde e imediatamente soou o espertador e já fóra lá a meia hora prevista.
Hoje de novo fum umha pedra toda a noite.
Uns universitários com pinta de debuxos de manga jogavam a algum jeito de fubol americano-beisbol cumha folha seca a começos do século passado. Era outono, por suposto. De novo soou o acordador e tivem que fazer sérios esforços para fazer-lhe caso.
Semelha que o meu corpo (ajudado polo tempo), fijo-se listo desta volta (a pesar da lua, das ondas, das agardas, das rabunhaduras que me provoco ultimamente co meu contorno mais intimo) e dezidiu que eram horas de durmir.
Agradeço-lho imenso. Havia muito tempo que nom acadava uns níveis tais de inconsciência durante tanto tempo.
De qualquer jeito, os sonhos continuam a ser os mesmos. Não tem revolta:
Só quero que você se encontre
A esperanza é um dom que eu tenho em mim -embora vaia gasta nos últimos tempos-.
Você me ensinou milhões de coisas.
É por isso que se fai tam triste este processo de perda de fê.
posted by Sao Tomé 20:19
Segunda-feira, Maio 3
Que todo está igual
Marchou Frauke, já.
Correu bem a visita, o exame de consciência, o reencontro.
Os dias voltam de novo a ser dias, até certo ponto sem festa.
Fico de novo sozinho na casa. E tudo está igual.
Temo de qualquer jeito que o ritmo nom vai diminuir muito, de qualquer jeito. Maio começou já coas primeiras inquedanças.
No meio dos trevões, a tarde deu para me encontrar com Íria (verdadeiramente Sabia da Manta Elêctrica) de novo um bom par de horas depois de tanto tempo, e ficou momentáneamente tudo mais brando.
Agardo hoje por várias novas visitas, polo jantar que vai fazer Belém, polo estar na casa a arrumar os restos da semana toda.
Agardo inseguro umha calma que sei impossível neste mes.
Com certeza só resta o surfismo (zen) no meio do temporal (como bem di Maria, "o mau nom som as ondas, é a ressaca").
Estou canso.
posted by Sao Tomé 20:45
|
Trapobana nom é que nom a haja, o que se passa é que é navegante, e hoje está cá e manhá acolá...
Álvaro Cunqueiro
"Si o vello Sinbad volvese ás illas"
Past
current
conta-me
algo |