Trapobana

Sexta-feira, Abril 30

Insónia

Nestes dias de se ter que fazer duro, de pensamentos confusos e inquietudes involuntárias, de sono nunca abondo, de me preocupar e de estar de mais, recupero (também ao jeito de mantra) um velho poema de há anos.
Porque existe essa parte em mim, embora nom se veja muito por Trapobana e nem sequer pola vida.
Porque é possível que qualquer dia fique preso dessa caste de insónia lúzida.
Para os navigantes fica feito o aviso, nom vos assustar.

Entre a gente que desconheço
vam aninhando certezas em mim:
Possuo umha parte
dura coma o canto dum coitelo.
É o anaco que me leva
ás camas das mulheres maduras que agardam nos semáforos
aos bares da zona nova
ao fume do tabaco e às manhás de sábado
anuvadas e desertas num aparcadoiro.
É o anaco que emprego
para pranar as patacas que me vai tirando a vida.
conheço-o desde há tempo,
o tempo tudo que levo luitando contra el.
Tenho-o gardado
nos pregues brandos do cérebro,
entre as apertas que atesouro.
Se um dia medra
poida que me veja
eternamente esperto na manhanzinha
com barba de três dias,
o cigarro do jejum que me atormenta
e a olhada lúzida do gume
que penetra e fire o mundo
ao me ferir.

posted by Sao Tomé 18:03

Mantras de teimosia

Complicações e ralhaduras mentais. Repito-me:

Que me puedan mentir
o decirme lo que es mejor.
Que yo sepa negarme a su juego.
Barre el viento lo que es incierto y es
la vida lo mejor del desierto que es la propia vida.

E saio ao mundo.

(Era visto. Afinal choveu quase todo o dia, apenas no meu jantar houvo
raiolas de sol.)

posted by Sao Tomé 03:07

Quinta-feira, Abril 29

Meteoropatia: Muda o tempo, mudam as vontades

Agardando, (embora com menos ansiedade do que o Javi) a vindeira Lua Cheia, sofro coma todos a mudança do tempo.
Enquanto esperto, e antes de abrir a fiestra, penso que algo tivo que passar, já que durmim coma um bendito e ainda custou bem erguer-se.
Agardo que a pequena sensaçom de calma continue um bocado e venha um pouco de descanso, para podermos continuar o ritmo primaveral com saude.
Preocupa-me um bocado a ausência dos trevões de Sam Marcos, se mal nom lembro, a avoa de Blandino (meiga de toda a vida) dizia que isto quer dizer que imos ter lóstregos umhas poucas semanas nos vindeiros tempos. Embora goste deles, temo os seus efeitos
Martim (Grande Duque de Branco e em Botelha) envia-me um programa para ter controlada a lua em todo momento desde o meu computador. Adjunta as coordenadas de Compostela para que a cousa seja exacta. Ai as vam para quem queira estar informado
LATITUDE 42°53.2'N LONGITUDE 8°33.1'W ALTITUDE 265 m

Vendo como anda a primavera e continuando a colecçom, merquei-lhe ontem ao fer Ventos de Forsa Sete, para pôr nesses dias em que se há notar o vento do Sul (ou Leste-Surleste).

posted by Sao Tomé 18:16

Quarta-feira, Abril 28

Da gravidade



Escrever é perigoso. Já nom é a primeira vez que depois dum post minimamente pessimista chegam-me chamadas e correios de preocupaçom e consolo.
Normalmente a conversa desenvolve-se nos seguintes termos:

- Como estás tio?, estás bem?
- Sim, por?
- É que lim Trapobana e fiquei todo preocupado/a

Realmente ve-se que o poder dramático da letra é maior do que o seria se estivesse a contar determinadas cousas de viva voz e cumha birra na mao.
Acontece que Trapobana é também para desafogar. Para cantarse las verdades.
E é sabido as canções semelham a miudo mais tristes do que é a realidade.
Em geral, a gravidade nom é tanta nesta Ilha.
Quando é, já me encarrego eu de chamar, e fazer visitas, de pedir asilos, apertas, conversa banal, licor café.

posted by Sao Tomé 18:20

Passagem a Trapobana

Fer fai-me chorar um bocado ao me enviar umha passagem para Trapobana.

Realmente há visitantes que som umha honra para esta ilha.
Muito obrigado companheiro.
posted by Sao Tomé 04:10

Terça-feira, Abril 27

Ecos de abril

Semelha que voltou já a temporada de espertar cedo de mais, com os paxaros a cantar onda a fiestra. Semelha que vai sendo hora, realmente, de mudar de almofada, e ver se assim melhora o descanso.
Semelha que o parom de actividade festiva e a pequena ausência de Frauke provocárom um descenso na montanha russa.
E esta sensaçom de olhos cansos e de sono imenso e os músculos do pescoço contraidos e os aniversários velhos e a visita de Frauke e os rozes e as distáncias com a gente que mais quero e a luz nova e as asuências levam-me de volta a outro abril.
Há dous anos passava esta época deitado no sofá lendo dessesperadamente a Benedetti e escuitando Cesária Évora. Estava daquela namorado dumha (em realidade de duas) raparigas dum jeito abstracto e com escasa esperança. Havia inquedanças várias no ambiente, nom durmia bem, estava cá esta sensaçom de areia entre os lenções.
Imediatamente volto a outro abril. Três anos já, num dos meus intres mais baixos. Consciente de que estava tudo por fazer, incapaz de compreender as mudanças ao meu redor. Perdido.
Volto a outro abril. Há um ano. Coma agora, em certo jeito, havia equívocos e distáncia, e começava a tomar eu essa dolorosa consciência que ainda nom me abandonou: que também podemos perder a quem mais amamos. Que também se pode perder o que mais amamos.

Em geral decato-me com tudo isto do de sempre.
Que o tempo é relativo. Que três anos é muito tempo mas nom de abondo.
Que também se pode perder quem mais amamos.
Que a vida se complica aos bocados, que aprendo a olhar os matizes.
Que, de quando em quando, continuo a ter gana de mudar de planeta.
Que preciso parar. Durmir um bocado mais. Ler a Benedetti e escuitar Cesária com dessespero.
Que te agardo.
Que me dói.

posted by Sao Tomé 19:04

Cala



Frauke marcha de excursom e deixa-me no salom umha cala que recolheu dum jardim de há três anos -coma tantas outras cousas que todos recolhemos estes últimos dias-.
No silêncio obrigado de estar sem electricidade na casa, a luz pom-lhe à jornada um gosto de férias que custa crer que nom seja certo.
Penso de mais em certas noites e decato-me
-mais umha vez-
de como o sol
lhe dá senso à pele.

posted by Sao Tomé 01:24

Segunda-feira, Abril 26

O que tinha que ser

Já foi lá a fim de semana.
Comeu-se o que se tinha que comer, bebeu-se o que se tinha que beber, fumou-se o que se tinha que fumar, lembrou-se quem tinha que lembrar, cantou-se o que se tinha que cantar com a emoçom necessária.
Durmiu-se isso sim, um bocado menos do que se devia.
Rematou polo de agora a história voltando para a casa na noite do domingo, roupa já de verao, agradecendo mais umha vez qualidade que tenhem a hospitalidade e a companha dos bons amigos que ficam pola cidade, e que o fam sentir a um sempre bem vindo a este mesmo lugar (do que nom marcho).

Enquanto lembro, agradeço à Olalha as louvanças para Trapobana.
Visitas de luxo as que tem esta Ilha.
posted by Sao Tomé 19:48

Domingo, Abril 25

Sempre



Felicito-lhe a data à Margarida:
"Feliz 25 de abril.
Que nom morram os sonhos embora vaiam colhendo, com o tempo, cor sépia.
Que fiquem vermelhos os cravos.
Beijos. "

Vaiam para todos também.
posted by Sao Tomé 04:51

Implacável

Frauke trouxo esta implacável primavera.
Vim a estaçom hoje na forma da rapariga morena da saia raiada que lia um livro ao sol nas escaleiras de história e de quem nom puidem evitar namorar um bocado.
Vim-na também em Bonaval, na lisca que era a lua no céu azul mentres caiam sobre mim as sementes das árbores e eu cantava, para variar Caetano. Nas mulheres deitadas na erva. Nas canções que jurdiam soas e nas terraças com Carlos e com Sérgio.
Íria floresce, como nom.
Passei a tarde também a lhe fazer mimos a Noa, a sua cadela, coa que a minha relaçom vai vento em popa.
A vida (que vem em ondas coma o mar) transcorre num estado de calma um bocado expectante.
Decato-me de quê pouco tempo som três anos para segundo quê cousas.
E sim sinto um bocado de fracaso ao nem lhe grandes novidades que contar à Pequena Criatura Alemá.
posted by Sao Tomé 04:50

Sexta-feira, Abril 23

Hoje: barreira e exame

Vejo arder um globo no que morrem quatro pessoas. Retiro-me antes de que remate o espectáculo. Desde o começo o meu bloqueio ante as catástrofes pom-se a andar. Do mesmo jeito que o 11-M, que o 11-S e que tantas outras vezes.
Conheço-me, e sei que mais tarde há-me doer a mao. Que precisarei beber um bocado mais. Que haverá algum jeito de afirmaçom vital, e algum jeito de pranto.

Para além

Hoje vem Frauke e estamos todos nervosos coa organizaçom.
Quem mais quem menos, penso que todos sentimos a visita, para além da ledízia, um bocado coma um exame:
Vemo-nos nuns olhos que nom nos vem há três anos. Enfrontamo-nos a quanto mudamos, e como.
Eu, a verdade, acho que som bem consciente das mudanças.
E em geral, conto cumha boa nota.

posted by Sao Tomé 19:32

Quinta-feira, Abril 22

Coma umha onda



Nom é a Jurado, mas o Caetano, acompanhado do Lulu Santos (autor da letra) quem canta isto em 'Noites do Norte ao Vivo' e ma meteu na cabeça.
A culpa é da Carmela, que me emprestou o disco cumha surpreendente celeridade.
E da lembrança dalgumha noite que já me ficou associada a este tema.

' Como Uma Onda (zen-surfismo)'
Lulu Santos - Nelson Motta

Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará
A vida vem em ondas como um mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu a um segundo
Tudo muda o tempo todo no mundo
Não adianta fugir nem mentir
Pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar

posted by Sao Tomé 20:50

Passeio

Depois duns quinze dias, ontem consigo por fim passar mais de meia hora a falar com Íria. Coma sempre, caminhamos e falamos a modo sobre as respectiva situações, sobre os pequenos problemas concretos da temporada, os planos a curto e meio praço e as alterações do tempo. À falta de sol, abril nom está a correr como ela agardava, e finalmente é a mim a quem me está a vir mais primaveral.
De qualquer jeito, e embora nom deu a situaçom para muitas ledízias, fiquei, como tantas outras vezes, acalmado dalgum jeito.
A miudo falarmos serve-me coma umha paréntesse, e decato-me de que é isso algo que achava a menos: esse jeito de dar-lhe umha pequena volta à aceleraçom, falando com normalidade das mais estranhas alterações do humor e do pensamento que poidamos ter.
Caetano ("Noites do Norte ao Vivo") e um bocado de Cunqueiro já quase durmido, afirmam a sensaçom de paréntesse.

(Embora fique muito por limpar e bastante por fazer antes de que chegue a anhorada Frauke, já esta sexta.)
posted by Sao Tomé 18:13

Quarta-feira, Abril 21

( Acotaçom XXV: Ausências)

< Penso às vezes
que tenho mulheres de mais na minha vida
que nom estám
( e que nom é que nom as haja)>
posted by Sao Tomé 19:02

Meteoropatia: A chuva em primavera

A vida vai acelerada. Depois do quase breakdown da semana passada, continua complicada, cheia de cousas, cumha rotina bem mais cheia do que nos últimos meses, pero bem. O meu telemóvel bota fume, chegam e vam correios constantemente e atopo gente e mais gente pola rua coa que apenas há tempo para combinar. Lembro-me de muitas gente e muita gente lembra-se de mim. Há cousas pendentes, planos fabulosos... No fundo, acho que é o único jeito em que isto poderia ser, coma se a primavera nos enchesse de energia e houvesse que a tirar por fóra dalgum jeito.
Imagino que o tremendo vento do Sul tem a ver. A maior parte da gente que conheço sofreu, coma mim, umha certa estabilizaçom esta semana depois da tolémia que foi a anterior. A chuva pode ter boa responsabilidade.
Ficam sem embargo uns gerais problemas de sono. Eu durmo estupendamente, pero diria-se que nom chega.
Ainda é bom ir tendo por onde fazer, o reto e completar os deveres ou tentar que nom importem as cousas que poidam ficar pendentes.
Em resumo, vai-se levando, e na fim, este post nom quer vais que voltar um bocado Trapobana à minha quotidianeidade, que realmente dá muito de sim embora nom pase por esta ilha, depois de acotações e chiscadelas várias.
Seguiremos informando da evoluçom do tempo.

(Mansamino envia-me umha postal desde Sevilla assinando coma Maximino Plinio e asegura-me que quando volte a Roma beberemos vinho na casa de Mesalina. Agardo que convide el.)
posted by Sao Tomé 18:15

Terça-feira, Abril 20

(Acotaçom XXIV: Bares baleiros)

"Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios"
(Vinicius de Moraes)

< Um dia que me atope caminhando sozinho pola rua, entrarei num bar baleiro. Um lugar anónimo por onde tenha passado milheiros de vezes sem o olhar. Um local com mesas de formica seriadas, com escudos de equipas nas paredes, com hamburguesas e nada de particular. Com os fluorescentes prendidos, sem identidade. Pedirei umha cerveja barata na barra e falarei com o camareiro sobre o tempo, sobre a liga de futebol que nom conheço. Mergulharei numha quotidianeidade alheia, sentirei-me mais um, jantarei lá um prato combinado enquanto escuito a música de moda. Olharei as garrafas que se amoream onda a caixa rexistradora e dectarei-me mais umha vez da familiaridade que me tenhem estes lugares frios. Nom terei nome nem passado.
E nom pensarei em ti. >


posted by Sao Tomé 18:10

Segunda-feira, Abril 19

Chiscadelas

.

Para além dos olhos nos que me poida ter topado e perdido nestes dias (que os houvo por fortuna), na manhá do sábado dei cumha constataçom das chiscadelas que manda a vida de quando em vez.
Este sábado merquei um caça. Um Spitfire Mk V. A escala 1/72, feito de metal injectado e totalmente pintado. Umha ilusom que tinha desde há já trece anos apareceu-se-me no quiosque da estaçom de comboios de Compostela e deu-me umha ledízia imensa, dessas de sonhos cumpridos.Umha colecçom de Aviões de Combate da II Guerra Mundial puxo nas minhas maos este fabuloso Spit.
A origem da teima está, coma tantas outras cousas, na influência do meu irmao Lourenço, que me deixou em herdança um pequeno e desvencelhado Spitfire azul e depois me deu a conhecer os Zeros, e ainda, através da sua encilopédia da II Guerra Mundial, outro boa cheia de modelos.
Depois chegou Roald Dahl, e o seu "Volando sozinho", que ainda me afiançou mais os sonhos.
E deste jeito, mentres outros rapazes falavam dos modelos e das prestações de carros e de motos, eu comparava manobrabilidade, velocidade, e aspecto dos P-37, FW-190, Me-110 e tantos outros, e sonhava com pilotar.

Estou agora detrás dum Junkers-87 "Stuka" que saiu no número 1 da colecçom. Se alguém o visse por ai, faga favor de mo dizer.
posted by Sao Tomé 19:25

Sexta-feira, Abril 16

Trevom nos dias de sol

Eu bem sei que tenho boas razões para temer a primavera (para além das consabidas meninas de olhos verdes).
Comprovo esta semana como todo o mundo vive acelerado. Como os comentários sobre as noites em branco multiplicam. Como sobem as discussões e os enfados. Como eu mesmo estou a piques do breakdown.

Por fim, na tarde de ontem parou tudo um bocado. Umha mínima sesta depois da visita para jantar que nom agardava. Tai Chi entre os carvalhos. Conversa lenta com o Luigi sobre mulheres, férias e livros. Depois parar na casa. Escuitar música e silêncio. Recolher a roupa, fregar a louça de meia semana. Ler um bocado com o encefalograma totalmente horizontal.
(E, nesses intres, por vez primeira nuns dias, vem-me à cabeça a ideia que era bom estares cá, tu também no meu salom, a olhar o solpor demorado.)

Hoje já ameaça a chuva.
Agardo logo umha pequena pausa nos ánimos, em preparaçom dos consabidos futuros trevões (e nom falo dos que virám, inevitavelmente, polo Sam Marcos).
posted by Sao Tomé 19:27

Quinta-feira, Abril 15

( Acotaçom XXIII: Confirmo a primavera )

< Mais umha vez, confirmo a primavera.
Vim-na baixar ontem a rua de Sam Pedro. Tinha o embigo ao ar.
Levava o cabelo rizado e escuro naquel momento, olhos fondos e umha das primeiras camissolas de tiras.
Gostava de lhe dar melhor bem vinda.
Haverá ocasões, agardo, já que estou certo de que aginha se multiplicará por todas as ruas.
Para goze e dessesperaçom dos meus olhos. >
posted by Sao Tomé 20:39

Quarta-feira, Abril 14

Cançom de quando neno

Ao me lembrar Maria a data, recupero para Trapobana umha história do último fim de ano.

Estou eu no banho na casa dos meus pais, arranjando-me para o que seria umha noite de muita amizade e reencontros.
Escuito entom desde o fundo do corredor, provinte do quarto que comparto lá com o meu irmao, o seu telemóvel a sonar.
Penso entom que a melodia soa-me muito conhecida. Dalgum jeito sei que é umha cançom que tenho vencelhada à família, algo que a minha avoa me cantava sendo eu neno.
Tardo ainda quase dez segundos em reconhecer a música. E começo a rir.

(Por Hermínia, ainda republicana aos seus actuais 91 anos,
polos mineiros do seu Lousame (naquel vinte de xullo de mil novecentos e trinta e seis, que dizia o Ferrim),
bom Dia da República)

posted by Sao Tomé 19:34

Da propriedade dos lugares III: Significados



Atopo de novo na rua a Maca, que continua na busca dos petroglifos do Pedroso para essa excursom que lhe tocou organizar. Ofereço-me para contactar gente, falo-lhe de cousas que se podem contar do monte, chamo a Tino que também se suma ao bombardeio de informaçom e de recursos.

A questom é que gosto que a nossa paisagem quotidiana tenha significado. Saber as histórias que estám por tras das cousas ou montar as histórias que se lhes podem achegar.

Quiçais é esse gosto o que me leva a aplaudir as camissolas do Fer, que dam um novo jeito ao nosso contorno tudo. O que faz que adore os gatos que aparecem pintados na rua e nos fam olhar diferente os recantos. O que me leva a olhar as portas velhas e as casas em ruinas, os ramalhos que se vem por riba dos muros dos conventos.

E será esse gosto o que me leva a olhar polo miudo as barandas modernistas que se agocham na rua das Hortas, e a agradecer saber qual é a Casa da Tumbona na que nasceu Díaz Pardo, e onde estivo a primeira imprensa Nós, e em qual casa vive Xosé Chao Rego.

E será esse gosto o que me leva entom de jeito automatico a lhe botar umha mao a Maca e, ao igual que Tino, pensar nas múltiplas possibilidades que oferece o Pedroso para ser singularizado, para que a gente o olhe diferente e passe a ter um significado.

Nom sei por quê, mas sei que essa é umha das minhas luitas básicas: o conhecimento do contorno imediato; o apreender a olhar com capazidade de surpresa o que olhamos cada dia; o outorgar um significado às cousas que nos arrodeam ou conhecer o que já tenhem.

Nom sei por quê, mas penso que é melhorar o relacionamento da gente com a sua quotidianidade, também a nível simbólico, é basico para qualquer revoluçom.

posted by Sao Tomé 18:49

Terça-feira, Abril 13

Mantra de teimosia VII: O inevitável defeito

Até me estranha nom me ter vido à cabeça até hoje. Esta cançom é umha habitual da minha cabeça quando lembro certos bons intres com saudade.
E é especialmente ajeitada para os últimos tempos, visto o visto, e vivido o vivido.

No quisiera un fracaso en el sabio delito
que es recordar.
Ni en el inevitable defecto que es
la nostalgia de cosas pequeñas y tontas
como en el tumulto pisarte los pies.
Y reír y reír y reír,
madrugadas sin ir a dormir,
sí, es distinto sin ti.
Muy distinto sin ti.

Pois é. Beijocas.
posted by Sao Tomé 21:02

A mao direita



Confeso-o. Tenho artrite reumatoide, umha variedade que os análises médicos nom conseguem reconhecer (o qual nom é tam estranho). Polo que di a ciência, a enfermidade é autoinmune, é dizer que dalgum jeito, o meu corpo rebela-se contra sim mesmo. Nom é grave polo de agora, sempre e quando nom se desboque cos anos.
Tendo em conta que até há pouco tempo a atrite era considerada umha enfermidade psicossomática, é significativa esta ideia de ser umha revolta contra um mesmo. De facto, os factores psicológicos, fundamentalmente o stress som determinantes para a evoluçom da enfermidade.

Durante muitos anos a minha mao direita inchava, entumecia-se e doia como mínimo um par de vezes à semana, ficando inutilizada para um lote de tarefas. Ainda bom que som esquerdo (canhoto) também para a escrita e demais funções. Com menos freqüência os nocelhos, a boneca esquerda ou algumha outra articulaçom lembrava-me a sua existência.
No meu proceso de reconstrucçom dos últimos anos, a luita contra esta enfermidade estivo na cabeça das prioridades, e depois de diferentes tentativas, achei no Tai Chi a ferramenta mais efectiva nesta guerra.

Nesta altura da vida, a mao ataca de quando em vez.
Especialmente quando levo algum tempo sem practicar, como é o caso hoje. Especialmente quando a vida se carga de cousas.
É o meu sinal de alarma. A minha mao indica quando vai tocando parar.
Os que me conhecem já sabem como vai a cousa. É Laura quem mais se decata quando é que estamos juntos e eu toco a mao.
Fazendo a piada com a mao de pedra que tem Hellboy, podo dizer que é também a minha "A mao direita do destino".
E nom tem mal. Hai-che jeitos piores de se decatar um de que está sobrecarregado.
Eu vivo com a minha mao.

posted by Sao Tomé 19:51

Encher o dia

(12/04)
Começo a fazer a ceia enquanto ainda é dia. Bebo umha Grimbergen, sozinho na casa e escuitando a selecçom de velhos êxitos pop. Decato-me de como há para um ano que nom tenho determinadas sensações, e consagro mais umha vez a entrada da primavera.
A sobreactividade da tarde deixou-me canso e contente, o dia foi-se enchendo. Em boa medida o nojo das férias havia ter a sua origem na necessidade de adiar cousas que hoje figem por vez.
Venhem a casa Sérgio e Carlos, e Julianne.
Coma numha nova ediçom da vida de há já dous anos, ceamos, bebemos e rimos. Eram outros tempos, mas nom muito melhores. E tenhem esta vantagem de poderem reeditar apenas com nos juntar.
Fica para manhá umha linda resaca, acho.
posted by Sao Tomé 19:43

Segunda-feira, Abril 12

Trapobanas



Buscando pola rede atopo a confirmaçom do que dizia o Cunqueiro. Trapobana nom é que nom a haja.
Embora o nome se lhe tenha aplicado a diferente ilhas ao longo dos séculos (já desde Plínio), na actualidade localizei umha pequena ilha, ao carom de Ceilám/Sri Lanka, que leva o nome de Taprobane.
Para além da fabulosa imagem que ilustra o post, a ilha conta também cumha história fabulosa na que aristócratas franceses se misturam com escritores retirados (nada menos de Paul Bowles e Arthur C. Clark), num ambiente de fábula e decadência muito ajeitado ao nome.
O que som as cousas, na actualidade aluga-se a turistas com cartos (maus tempos para os sonhos)
Será cousa de ir um dia de visita.
posted by Sao Tomé 21:44

Férias off

Rematam estes dias de supostas férias. Sinto que continuam muitos asuntos sem se resolver, que tenho cousas de mais cabeça, no naris e na gorja que me atacam o sono. Bons forom os reencontros destas datas. Bom também o vento que nos trouxo dias claros. Bom foi o licor de rosas com Rapo e com Sérgio, com Caetano e Sílvio e a tentar novas canções. Boas fórom as risas co Lois, as tardes com Maria.
E, sem embargo, nom tirei ainda de enriba a sensaçom pessada de voltar da casa, a apatia de nom ter novas, a tristura inerente do nom acontezer rem que alede a pele, e faz falha.
Dum jeito lato, agardo o descanso nos dias que virám, um maior recolhimento, a resoluçom sempre parcial de situações várias, um pequeno cargamento de alouminhos que venham nas tuas maos, que nom falte a luz.

posted by Sao Tomé 04:11

(Acotaçom XXII: Quem mora longe)

< Vai marchando no silêncio a ledízia que era tua.
Vem a tarde. Difuminam as horas nossas na memória, enquanto luito por reter as lembranças das madrugadas.
Por dizé-lo dalgum jeito, som os dias melhores quando andas tu polo meio.
(Eu nom sei bem por quê
so sinto na vida o que vem de você.)

Sonho meu, sonho meu,
vai buscar quem mora longe, sonho meu
no meu céu a estrela guia se perdeu
a madrugada fria
so me traz melancolia, sonho meu. >

posted by Sao Tomé 04:09

Domingo, Abril 11

Santo Nojo

Volto a Compostela. Mais umha vez, demostra-se que dous dias som tempo de mais para estar na casa com a família. Coma em tantas ocasões, volto cumha sensaçom de náusea, de cansaço e de fastio.
Durante muito tempo o retorno cada domingo com esta sensaçom levava-me à casa de Íria, onde a anfitriona por excelência obsequiava cum Sheridans, um Offley ou o alcol de qualidade que houver no momento.
Hoje de novo volto, cheio de nojo (lembro que, quando era mais novo tinha periodicamente esta sensaçom). Pergunto-me ainda pola causa. A falta de costume pola convivência. O confronto com a decrepitude crescente de Hermínia, a doidez do meu pai, os caminhos sem saida da Dora. Ou o encontro com muitos eu anteriores, e com os meus cimentos que na forma de BDs, de livros e de joguetes estám ai a me agardar.

Esta manhá merquei por fim Pílulas Azuis. Imagino que a intençom nom era mais que o rachar um bocado com este olhar duro e com o nojo que me acompanha, e conseguim se acaso ponher-me um bocado mais sensível.
Acho que nesta altura, apenas há umha ou duas raparigas que saibam como me tirar disto ou que poidam faze-lo mesmo sem saber.
Apenas um par de jeitos de me libertar antes de que caia a noite.
Mentres, consolo-me co Rescue Me de Fontela Bass e algumha outra jóia que me rescatárom desde a rede.
Coa conversa de Julianne, reecontrada logo de anos.
E com saber que alguém desde o Além Minho veu, por fim, ver Trapobana.

posted by Sao Tomé 05:10

Êxitos do ontem, hoje

Com Ordinary World de Duran Duran e Carnival de The Cardigans, tenho quase rematada a operaçom de rescate musical que comecei há umhas semanas coma monumento sonoro dumha época da minha vida.
Era cara os quince anos, acho que no outono, e chovia. E eu ia cara um enterro com o meu pai. Mas nom era só isso.
Em geral forom uns meses nos que, dum jeito altamente consciente, vivia numha estranha saudade ordenada. Lembro nidiamente a sensaçom de voltar dalgumha breve excursom. A sensaçom de olhar a luz no quarto, e o deitar-se a escrever na cama, e um jeito de olhar as cousas diferente ao que tivera antes.
E estavam por alô estas canções, e Love Song for a Vampire, e a versom de Ruby Tuesday de Rod Stewart, e Belleza Pasajera de Tam Tam Go! e, estranhamente o Jealous Guy de Lennon. E boa parte delas sonavam juntas enquanto seguiamos o cortejo fúnevre cara a Vigo.
Tinha pendente fazer esta colheita de temas dispersos. Afinal foi Maria e a sua boa vontade (para além da sua conexom) a que mos trouxo.
Nom, ela tampouco entende o que é que tenhem algumhas destas canções de particular. Obrigado de qualquer jeito.

posted by Sao Tomé 04:59

Sábado, Abril 10

Meio por fora e de vagar

Dous feriados seguidos.
É difícil sobreviver com o ánimo inteiro a estas velhas ruas dessertas, aos passeios sem sentido, à cidade morta.
Ficam as conversas, os reencontros, a luz solar atrapados nesta sensaçom peganhenta.
E, sem embargo, ficam sintomas de recuperaçom físsica e psíquica neste tempo vagarosso, nesta calma espessa, neste estar meio-por-fora do mundo no que, de qualquer jeito, continuo a te agardar.
posted by Sao Tomé 02:27

Tardes novas

(8-IV)
A mudança de estaçom consolida-se com o dia. O sentir que a tarde foi estranhamente agradável trae-me à mente umha reflexom de quando começava o último outono.

Som os pequenos detalhes da estaçom os que marcam o jeito no que nos confrontamos com determinados aspectos da vida. Deste jeito, hoje o solpor veu tarde e estivemos no sofá. E eram outros os passaros de fora. E era outro o frio ou o calor, e a luz, a luz que nos guiou no nosso passeio. E o arrecendo na rua, onde ainda se mestura a madeira queimada das últimas lareiras coas flores novas.
A música velha também ajuda, e assim é que foi a tarde nova, e estranha, e boa, mas sempre cum gosto saudosso e normal: há um ano que muitas destas pequenas cousas nom estavam cá.
E ainda hemos tardar em nos afazer às diferentes novas sensações que venhem na primavera para tantas cousas. Afaremo-nos o justo para nos surpreender ante os sons de fundo, os olores, as sensações táctis do verao.

posted by Sao Tomé 02:24

Quarta-feira, Abril 7

E as flores



AND THE FLOWERS BLOOM LIKE
MADNESS IN THE SPRING

Aqualung - Jethro Tull

(Tal e como Íria reclamava, colo cá esta cita -já da sua propriedade- que ano a ano lhe envio por SMS nalgum intre da primavera. E que é totalmente certa, por sorte ou por desgraça).
posted by Sao Tomé 19:09

Terça-feira, Abril 6

Mantra de teimosía VI

Quando se me enche a cabeça de passaros que tenhem voz de rapariga, seja por bem ou seja por mal, descobro-me assubiando o começo desta cançom. É um acto reflexo, do que sou consciente a miudo quando já levo um bom anaco a caminhar.

Ontem ia pola altura da Alameda quando descubri que estava cá de novo.
posted by Sao Tomé 20:38

( Acotaçom XXI: A lua faz medrar as cheminés )

< Volto com Carlos e Belém polas Hortas. Olho para o paço de Raxoi e decato-me por vez primeira da imensa cheminé que há no telhado do edifício.
- Nunca a vira -comento.
- Pois seguro que está ai desde sempre -sinala Carlos
- Nom, de fixo que a Lua a fez medrar
- A lua fai medrar as cheminés, mais um efeito para a tua lista

E mais, nom seriam lindos esses bosques de cheminés a medrar baixo a lua? >


posted by Sao Tomé 20:13

(Acotaçom XX: Inauguro a primavera)

< Em tendo visto ontem, pola primeira vez no ano, como umha raiola de sol entrava pola fiestra Norte da minha casa e dava no sofá na altura das sete da tarde.
Em sabendo que é esse signo inequívoco de som as tardes mais longas e os solpores mais demorados.
Em tendo continuado Cléo a sua floraçom a bom ritmo, e Meno o seu crescimento acelerado.
Em conhecendo que isso supom tardes de conversa no sofá, e tempos de escuitar Cesárea e Caetano, e Fanfare Ciocarlia e outros a grande volume e com a fiestra aberta.
Sentido-me mais ligeiro do habitual.
Declaro inaugurada oficialmente a primavera em Trapobana.
E para que assim conste, assino, na susodita Ilha, a seis de abril de 2004.

São Tomé

Que aproveite e que seja boa. >
posted by Sao Tomé 19:59

Segunda-feira, Abril 5

Noite em Itapoã



Acontece-me em ocassões que, ao baixar cara o Sul, perdo o Norte. De jeito literal, o meu sentido da orientaçom falha, e deste jeito passei dous dias a ver como se punha umha Lua imensa e já cheia às seis da manhá por onde eu pensava que devia saír.
Para além da Lua, o caminho veu acompanhado de fenómenos meteorológicos. Se na ida viamos um duplo arco da velha mesmo a carom da autoestrada, na volta assistim desde o combóio e por primeira vez na minha vida, à visom dum Arco da Velha circular arredor do sol (dizem que isso nom é possível, mas eu vim). Afinal semelha que forom bons augurios, que a dessorientaçom foi possitiva.
A viagem correu óptima, e se já estaba eu contente, aínda apareceu a Margarida para me oferescer um sonho (ou dous), dúas fabulosas noites em Itapoã, algumha nova cançom e a reconfortante sensaçom de que fica gente com a que falar.
Beijos para tão linda e extraordinária menina.

posted by Sao Tomé 21:20

Grándola Nova (Da propriedade dos lugares II)

Portugal era teu.
Esta fim de semana, na minha vissita para o Além Minho decatava-me de como a maior parte das minhas experiências adultas com o país eram viagens contigo ou para ver-te.
Deste jeito possuias Coimbra, Lisboa, Porto, Víana, os combóios e as estações, os parques e os quartos dos hoteis que sempre me remitiam a aqueles que compartimos.

Ficavam fóra de ti anacos pequenos. As casas de Granja e o Casino de Espinho, que sempre estám a agardar, respeitivamente, pola olhada e pola sorte de Íria (lembro-lho cum SMS cada vez que o comboio passa por la). Umhas horas em Braga com Sinho. Umha área de descanso de autoestrada de Laura.
O resto era teu ou de estar a pensar em ti, e nem era mau. Mas tinhas um jeito de exclussividade com o lugar.

Nestes dias de descoberta, de amizades, de festas e de pouco durmir, figem umha Grándola Nova coma aquela que fundara o Dario em 'O cervo na torre': umha ilha e cidade capital dumha nova naçom. Agora, e embora mantenho com carinho as lembranças tuas completas, Portugal é mais meu. É máis próprio o combóio no que durmim o caminho de volta, som mais próprias as casas que vim sem ti.
Voltei do Além Minho por terras libertadas.
Também é certo que para te ver de novo em Compostela.
Também é certo que para che dar apertas.

posted by Sao Tomé 19:36

Sexta-feira, Abril 2

Dá-me no naris



A semana vai lá. Afinal o catarro converteu-se numha série de dias cubertos polo trabalho e outros poucos que se enchérom de sensações de fogar e de longas conversas. De pousar.
Mais umha vez comprovo em quê jeito o meu corpo sabe me dar as alertas quando a minha mente o precisa. Dores articulares e catarros som os meus marcadores, e é deste jeito que vou sabendo quando parar.
Estes últimos dous dias figem-lhe caso. E dediquei-me a falar, a estar tirado no sofá. A recever apertas. A jantar e cear em companhia. A tomar cafés eternos e às longas sestas. A falar de novo de velhos projectos, a repasar as situações variadas às que nos levou a vida.
E agora marcho para o Sul. Com calma e com boa letra, voltarei aginha, agardo que mais preparado para acelerar a vida mais umha vez, até os vindeiros sinais de alarma.

posted by Sao Tomé 19:31

Quinta-feira, Abril 1

Como esperando abril: E já

Sim. Mantive-no em segredo. Nom digem mais umha soa palavra. Mas chegou a primavera a Trapobana (embora climatológicamente nom se note muito).
E hoje começa abril.
Vendo como vai a gente nos últimos tempos, acho que estou a levar a razom (mais umha vez) por temer esta estaçom. Por desgraça, nem sequer Íria está a florescer como todos agardávamos.
Casualidades da vida: Marcho manhá mesmo numha breve viagem. Fuxo do começo de abril, da lua que se achega.
Colho umha breve distáncia para me enfrontar aos aniversários e aos proidos primaverais.
Voltarei aginha.
posted by Sao Tomé 19:29

Agarda por M

Frego um bocado mais de louça e vou fazendo a ceia. Escuito Belle&Sebastian, que conservam a sua capazidade de reconciliar-me um bocado com o mundo. Sinto um bocado velho, e sinto como tem passado o tempo enquanto agardo a que soe o timbre. A sensaçom é de fogar. Piazza New York Catcher, Get me away from here, I´m dying, e chegas.
Ainda nos dá para ouvir (e bailar) Se a vida é, e ainda Belleza pasajera. Ceamos, e falamos a modo ao som de Mariza (Bairro negro).
Quando afinal marchas, olho pola fiestra do quarto como chove sobre as Hortas, enquanto eu continuo na casa.

Lembrança (por outra banda)

Atopo aquel livro que tenho para che emprestar, e num ataque dalgo que nom sei definir, penso por um intre em te chamar e te dizer que venhas, em contar-che algo que che faga sentir bem. Quiçais se trate simplesmente de compartir esta serenidade. Quiçais é só que às vezes nom custa nada fazer algo que che dea um sorriso, e que nom quero ser mau.

Mas penso que é melhor nom complicarmos as cousas (Já foi lá). E saio do quarto.

posted by Sao Tomé 18:50

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Trapobana nom é que nom a haja, o que se passa é que é navegante, e hoje está cá e manhá acolá... Álvaro Cunqueiro "Si o vello Sinbad volvese ás illas"

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