Sexta-feira, Março 12
Voto Zen
Já tudo estoupou. Nom faz sentido.
Tinha umha história sobre a necessidade de políticos entranháveis. Sobre o estranhamente entranháveis que me ressultam alguns políticos do país.
Mas já tudo estoupou.
Para além da estupefacçom, fica o medo.
Nom deixo de temer mais quatro anos de direita, seja do partido que seja.
Atordado e assustado coma todos, a indecissom sobre o meu voto leva-me a umha actitude cada vez mais zen.
Fago o baleiro na mente o mais que podo.
Domingo entrarei na cabina, tentarei entrar en wu-chi e meterei umha papeleta no sobre.
Sem apontar, coma no tiro com arco.
posted by Sao Tomé 20:05
Quinta-feira, Março 11
Autojustificaçom VI: À margem
Aos poucos a gente vai sabendo quem é na realidade São Tomé. Nom vivia mal quando ninguém o sabia.
Olho as visitas à iIha e começo a pensar quem pode estar por trás dos números. Até o de agora era bem sinjelo. Só os amigos mais achegados, e aqueloutros que ficavam longe.
Olho as visitas e penso como nom é este o blog que eu gostaria ler. É apenas o blog que gosto escrever. E tanto me tem quanta gente o leia enquanto me serva para gardar e para contar a quem as pode compreender estas mínimas histórias.
É Trapobana, mais umha vez o digo, um arquivo, pequeno mostrador de cousas pequenas.
Son los postigos de mi tristeza (e é tam pouco o que conheces de mim).
Dim-me que nom é precisamente ledo. E nom é, nem tem intençom. É um lugar no que pousam cousas que nom tinham onde pousar.
E há já muito que lhe tenho feitas boas canles à ledízia e mais à festa.
Gosto que fique a Ilha na margem da minha vida: Issolada na rede. Fóra do web, Trapobana e São Tomé som só anexos meus para os habituais da ilha..
Para os demais, qualquer reclamaçom polo correio (que sea sin membrete).
posted by Sao Tomé 19:47
Quarta-feira, Março 10
Autojustificaçom V: São Tomé (I)
Em falando de Sôdade
Quem mostra 'bo
Ess caminho longe?
Quem mostra 'bo
Ess caminho longe?
Ess caminho
Pa Sâo Tomé
Veleiqui umha das razões do nome.
posted by Sao Tomé 22:22
Sôdade
Co conto este de me fazer Maca lembrar dos Ossos Gummi, conseguim situá-los cronologicamente na vinha vida. E tivem que o fazer a partir do Senhor dos Aneis, manda caralho. Eu lim o senhor dos aneis com doze anos, depois de ver esta série. É essa a razom pola que nom podo evitar imaginar inconscientemente a Frodo, a Sam e a Bilbo coma Ossos Gummi, em geral semelhantes ao aquel que estava sempre cabreado. (Também assimilo aos ananos todos a aquel que aparecia em Taron e o caldeiro mágico, realmente grande é o poder icónico de Disney).
A questom é que com tanto mareio cronológico, decato-me mais umha vez de quanto mudeu na minha relaçom com a saudade. Até há bem poucos anos eu era o rei deste sentimento. Incapaz de tirar nada, de levar bem as mudanças na paisagem mais achegada por muito que fossem para melhor. Regodeando-me no sentimento de perda até a dor e definindo-me fundamentalmente por el.
Agora tenho-o mais domeado. Mas nom deixo de ser saudosso.
Pergunto-me até que ponto foi um incremento de tempo dedicado a viver fronte ao tempo dedicado a contemplar (e polo tanto também a escrever). Pergunto-me até que ponto nom é umha simples adaptaçom ao contorno de normalidade.
Pergunto-me também se nom será porque, a esta altura do partido, nom qualquer tempo passado foi melhor.
posted by Sao Tomé 01:42
Terça-feira, Março 9
Como esperando abril: Sonnenblume
Íria quer fazer um inquérito. Pergunta-se se haverá alguém que agarde a primavera com tanta ánsia. Até me permito duvidá-lo.
É por algo que há já umha boa temporada comecei a chamá-la Sonnenblume, a palavra alemana para o girassol. Foi à volta dumha visita a alemanha, onde me agassalhárom cumha destas flores às que nunca lhes tivera um especial carinho. Era verám e a menina estava em plena florescência.
Desde aquela de quando em quando lembro-lhe a sua condiçom solar, coma o Galvám a quem lhe ia medrando a força ao longo da manhá e lhe declinava depois do meio dia.
Polo de agora, Sonnenblume segue contando os dias para abril
posted by Sao Tomé 20:56
Súcubos
Continuo a ter sono. Nom sei quê caralho passa, mas ergo-me ainda mais zumbado do normal. E isso que durmo coerentemente.
Para além da Lua (que, sim continua nas nossas vidas, que lho perguntem a Íria ou a Ana), começo a pensar na possibilidade de estar a recever as atenções dalgum súcubo que, para mais, opera com tal sigilo que nem sequer me entero. E isso sim que seria triste, para umha ledízia que lhe dou à cama, nom me enterar...
Hei ter que provar com o alho e o loureiro na porta, quiçais seja simplesmente cousa de agardar polo minguante. Ou quiçais seja questom de lhe tirar o posto e meter no leito algumha rapariga, sendo a cama pequena, nom haviamos caber os três, e de seguro que me erguia doutra cor.
posted by Sao Tomé 19:53
Segunda-feira, Março 8
O que pode restar dum
A demorada tarde de ontem rematou por casualidade cumha ceia na casa à que segue umha longa conversa na que, depois de falar de cidades grandes e pequenas e da necessidade que temos -ela e mais eu- de nos reconhecer no meio da multitude, tiramos alguns dos intres mais duros do passado, já nom podo dizer que recente.
Olho com seriedade o eu que era há já três anos, e decato-me de todo o que nos pode arrebatar a vida no jeito máis estúpido. Sem grandes golpes, sem balbordos e sem disparos. Aos poucos, coa rotina dura e o trabalho de zapa, pode fazer que nom fique apenas nada de nós, só umha inércia e um molho de costumes, a incapazidade de olhar e moléstias estranhas nos pulsos e no sono.
- E ainda assim eras umha pessoa maravilhosa -Di-me ela.
Eu nom deixo de me asustar ante o pouco que restava de mim naquel intre. O pouco que me faltava. Pido-lhe desculpas por lhe terem tocado os meus piores anos. E, mais umha vez, prometo-me nom voltar a algo assim, e lembro o longo proceso de recuperaçom que me trouxo até cá, também a Trapobana.
Leva-me isto tudo a recuperar outro dos meus
Mantras de Teimosia
Jai guru deva om
Nothing's gonna change my world
Nothing's gonna change my world
Nothing's gonna change my world
Nothing's gonna change my world.
É-che o que há.
posted by Sao Tomé 20:38
(Acotaçom XIII: Reconciliaçom)
< Sábado de sono ao meio dia. Boas nuvens, e o sol sobre a pedra das ruas baleiras reconcilia-me com algo que nom sei definir, mas que sei de certo que tem a ver com as minhas antiquíssimas manhás de sábado na sala infantil da biblioteca pública, a ler bandas desenhadas do Donald dos anos trinta. >
posted by Sao Tomé 02:04
Noites e Lua
Umha fim de semana mais. Poucas novidades na fronte: algumhas conversas, alguns sorrisos, algumha olhada, algumha nova. Algumha noite que nom se durmiu. Fer (ilustre visitante) di-me que é adicto a Trapobana e atopo, logo de meses à velha Íria (nom aparecida ainda por acô) cos seus olhos que tenhem 'la sonrisa del agua' -como dizia Neruda- (coma sempre, umha ledízia e umha delízia).
Algumhas preocupaçom, algumha cousa linda. A lasanha de Íria e intentos de sesta na sua casa. Maca, menina que é, descobre-se fam dos ossos Gummi e Ana aparece para pechar o Tarasca. Roberto conta-nos de como atopa jóias, e corsés, e arquivos e documentos e antigüidades nas escombreiras, e pom-nos triste mais umha vez o país.
Polo de agora nom é muito para termos Lua, e nom tem mal.
Só estou canso. Coma ontem, será cousas de ponher camisa de cores, o ánimo zen dos sábados em Compostela e deixar que o dia esvare. Zélia Duncan canta 'Me gusta'. Acompanha-me o 'Oxalá' do Madredeus Electrônico.
E por tras dos telhados, fitam-me as nuvens.
Estou canso.
posted by Sao Tomé 02:04
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Trapobana nom é que nom a haja, o que se passa é que é navegante, e hoje está cá e manhá acolá...
Álvaro Cunqueiro
"Si o vello Sinbad volvese ás illas"
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