Sexta-feira, Março 5
Autojustificaçom IV: Trapobana
Visto que é o tempo de sair do armário dos blogs e fazer-se público, acho que ó intre de colar cá um texto que explica um bocado o que é isto. Prometo arranjar um bocado a Ilha, som especialista em ter a casa sem varrer.
Obrigado pola visita.
Trapobana non é que propiamente nóna haxa; o que pasa é que é navegante, e hoxe está aquí e mañán acolá, e si vas coa tua nao i ela está fora do seu sitio no mapa, apártase e tan axiña as mais das veces que nin se chega a ver, agás que sexa noite, que dá luces; non incomoda nada no mar a illa Trapobana. Pro si vas coa tua nao e te metes onde dice o mapa que cae, ven ela e ponse no seu acougo, i entón embarrancas, e ténñense dado casos que naos que xa iban tan metidas no asento de Trapobana, e a illa nónas vira porque, poño por caso, había brétema de cedo, que vindo trapobana a asentarse rápida ao decatarse apareceron no cumio dos montes, ou na praza dunha vila, ou nunha arroceira, i entón El Rei de Trapobana quédase con todo o que leva a nao e manda azoutar ao piloto. Así que hai que navegar entre Columbo e Malaca como si a illa Trapobana estivese no seu cun farol aceso.
Al Faris Ibn Iaquim al Galizi
posted by Sao Tomé 23:36
(Acotaçom XII: Asas)
< Volto à casa às doze da noite. Ninguém agás eu tem vontade de sair.
Passo polo Obradoiro e, polo recanto do olho, observo um objecto estranho tirado no chao.
Nem sequer me detenho, mas fico com a vaga impresom de ser a ponta umha asa enorme, coma a aquela que o professor Challenger trougera da Amazônia para provar a existência dos Pterodáctilos do Mundo Perdido. Tamém penso no estremo da asa dum anjo. Penas estragadas e sujas, ossos rotos no chao. Sinto de repente no interior dumha novela velha, a noite mais escura e as luzes som de gás.
Penso entom (mais umha vez) na possibilidade de todos esses objectos, persoeiros e acontecimentos estranhos que passam quando nom olhamos.
Ao ver os gatos nas Hortas onda um buraco numha porta (algum deles filho sem dúvida daquel meu Leãozinho que vinha por alouminho e comida ao meu telhado), penso que os momentos nos que os gatos fam os seus caminhos segredos som também parte dessas cousas maravilhosas que acontecem sem nos decatar.
-Ao igual que os teus passeios por diante da minha porta sem teres nunca subido- >
posted by Sao Tomé 20:28
Quinta-feira, Março 4
(Acotaçom XI: Acordador surrealista)
< Soa o telefone. Maria acorda, ergue-se, arrastra-se polo corredor e colhe o auricular.
- "Siiiiiiiim?"
- "Mira Maria. Os que cubrirom a semana passada o inquérito do Santo Graal, eram estudantes, também? "
Afinal trabucaram-se de número. Mas ficou a curiossidade de saber quê bendito inquérito sobre o Graal se está a fazer por ai.
Tomando um café, especulamos sobre um possível Servício de Acordador Surrealista que Telefónica lhes ofereça aos seus clientes para começar o dia dum jeito original. Canda nós, Martim, cos óculos de sol e convalescente da sua operaçom de miopia, semelha talmente um cego do dos cantares.
Agardo umha sua própria recuperaçom, ou que vai ser de mim sem ajuda de cámara? >
posted by Sao Tomé 22:03
Meteoropatia III: Parte
A segunda comecei a perguntar-me se se achegava a primavera. Desde aquela nom fago mais do que ver mulheres interessante por toda a parte.
Ontem Camem ajudou-me a explicar isso, e os meus cámbios de humor e o durmir mal e algumha ralhadura ao lembrar-me que já vem ai a Lua Cheia.
Achegou ademais um interessante apontamento sobre a sincronia dé satélite e menstruações. É sabido que quando duas mulheres vivem juntas os periodos tendem a coincidir (Íria, ademais completa assinalando que os ajustes tendem a se fazer cara a mulher cumha personalidade mais forte). Mentres, quando umha mulher vai viver soa, a menstruaçom vai-se-lhe ajeitando à Lua. Somatismos vários.
Total, que também temos um forte vento do sul, e com todo isto, nom me surpreende descobrer que também a companheira Maria Yañez está em pleno SPM, que também deve ser em boa medida o que me passa a mim.
Canso como estou duvido que dea feito hoje para sair. Acho que precisso umhas férias.
Disque tirando para o Ecuador, a Lua deixa-se notar menos... Acô toca-nos sábado.
Assim que ponhede os cintos de seguridade ou soltade-os todos, segundo convenha.
Em havendo saude e se nada me fode o ánimo, eu estou por os soltar.
(Mas já sabedes que isto tudo é superstiçom, verdade que ninguém nota os efeitos? ;-)
posted by Sao Tomé 19:09
Quarta-feira, Março 3
Más triste es Godard
Ana está triste, boas razões tem.
Ontem foi ver um filme de Jean-Luc Godard (que nom Goddard) dentro do ciclo que organizam os do Cineclube.
O comentário que fai do filme é um exemplo básico de catarse: "O meu nom é nada, como sufriam aqueles aristócratas!".
E é que está visto, mais umha vez. O que nom se consola é por que nom quere.
E mais triste é Godard.
posted by Sao Tomé 20:09
Autojustificaçom III: Literaturizar
Decato-me de que apenas visito blogs de gente que conheço. Só de quando em vez vou botar um olho polos doutra gente.
Reflexionava o domingo com Ana (ia sol brevemente em Bonaval) sobre esta febre blogueira que estamos a viver.
Lembro como vai já para dous anos que comecei a lhe dar voltas à escrita cibernética, às suas possibilidades literárias para além do estilo único que tenhem (para mim) os correios-e.
Finalmente vejo que o blog vai sendo um estilo diferente. Que me serve (e imagino que será também em boa medida para outros blogueiros) para fazer mais literária a vida.
E sem embargo nom vejo muito a diferência no jeito de viver com antes. Ou com aqueles tempos em que lhe dava à poesia. Muitos dos desbarres som os mesmos, só que ficam acô colados, no mais puro estilo álbum. Sim há alguns que me preocupo de pensar em palavras, de me conscienciar mais para os fazer posts.
Pergunto-me quando durará. A febre de todos. Quanto tempo continuarei levando de quando em vez este pensamento mais literário. Como rematará influindo na minha vida.
Continuamos coa experimentaçom. Obrigado a leitores e críticos.
posted by Sao Tomé 19:28
Terça-feira, Março 2
(Acotaçom X: Professora)
< Reencontramo-nos os alunos depois dos exames. Todos se laiam e comentam. Entra umha rapariga nova na aula e deixa o seu livro na mesa da professora. Pecha a porta, pergunta se estamos todos. Tem um olhos azuis preciosos. E um bom cu, por dizê-lo duramente. Semelha agradável e interessante, e dá-lhe pontos à possibilidade remota de assistir regularmente a esta matéria.
A aula decorre entre a admiraçom por estes elementos e a esculca doutros pontos de interesse por umha banda, e o assombro entre o pouco preparada que trae a matéira.
As possibilidades esvaem-se. Olhos ou nom olhos, sae-me caro de mais assistir, pouco mais a verei.
O qual nom deixa de ser umha pequena mágoa.>
posted by Sao Tomé 21:18
Beatles return
Vou no trem escuitando os discos de singles dos Beatles. Houvo umha época longa em que eram toda a música na minha vida.
É estranho, depois de tantos anos, descobrer ainda algumha nova cançom do grupo. Pequeno flashback cara a adolescência e puberdade. Descobro que a primeira época soa ruidossa de mais, e tenho q agardar até temas do 65 e posteriores (muitos já bem conhecidos, entonados e memorizados) para recuperar a fê.
"Hey Jude" trae-me lembranças das eternas velhas discussões co David sobre se Lennon ou McCartney (eu sempre fum Lennonista). Segue-me parecendo um bocado pastelossa de mais (ou melga, que diria a Maria).
É "Old Brown Shoe", a primeira q me fai subir o volume e me tira um sorriso. E já na final da viagem, os primeiros acordes da magistral "Don`t let me down" soam quando o trem sae bruscamente do túnel para atravessar o meu Rio Lérez onda o campo de Sam Bieito.
De qualquer jeito, achei pérolas ("Rain", ou a tam buscada "The Inner Light". E reecontrei-me coas eternas "We can work it out"e "Paperback Writer").
Polo de agora, foi de abondo, mudarei os MP3 que gardo no Pen Drive.
posted by Sao Tomé 21:10
Nomeamento: Ajuda de cámara
Pola presente, eu, Sao Tomé, Senhor de Trapobana, outorgo a Martim o título de Grande Duque de Branco (e em Botelha), e nomeo-o o meu Ajuda de Cámara oficial polos serviços prestados nas árduas jornadas de engate das noites Compostelanas, das que a continuaçom dou alguns exemplos para a História e o solaz do público.
- Pola sua agudeça vissual ("aquela nom é....?")
- Pola sua interpretaçom de pegadas( "achega-se-che muito, essa quere algo"; "já verás como agora vem para acô"; "essas que acabam de marchar voltam aginha, que tinham interesse")
- Polo seu fino ouvido ("esta de acô acaba de lhe fazer um comentário sobre ti à sua amiga")
- Polos seus aceirados comentários ("esta está interessada, óstia, a prova definitiva é que está acô detrás minha escuitando tudo isto que che estou a dizer e nom protesta!!")
- Pola sua capacidade táctica ("é o momento de empregar a táctica distractiva número 1: vou coa amiga a buscar umha cerveja"; "bom, marchamos um momento a tomar o ar, ficades sós, nom vos aburriredes, nom?")
- Pola assunçom de riscos para além do exercício do dever ("joder, fiquei distraendo a amiga, e afinal trabou-me!"). (Por esta dura batalha, conhecida coma "O Caso Mordisquitos", foi condecorado coa medalha de Santo Job e o subseguinte licor café)
- Polos seus denodados intentos por manter alta a moral da tropa ("joder, mira q se che achegam mulheres!"; "o outro dia atopei a fulanita e perguntou-me por ti, lembra-se!")
- Polo seu razonamenteo impecável e conseguinte berro de guerra: "Mira tio: Se é blanco e está numha botelha é leite. Pois com esta tia é assim: Blanco e em botelha".
(O berro ficou atrapado pola rua da Fonte de Santo António e ainda se pode escuitar nas noites etílicas): Blanco e en botelha
Saudamos pois ao Grande Duque de Branco desejando contar com a sua ajuda por muitas outras (e agardamos que exitossas) noites e agradecemos mais umha vez os serviços prestados.
E para que assim conste assino a dia de hoje em Trapobana.
posted by Sao Tomé 20:52
Segunda-feira, Março 1
Cabodano do Al Faris
Foi já o 28, e chego com atrasso, e com muita presa. Umha vergonha.
Fam-se anos desde aquel 1981 em que o senhor Al Faris Ibn Iaquim Al Galizi, Álvaro Cunqueiro, origem desta Trapobana (que nom é que nom a haja).
Lembro-lhe a Maria a data no meio dum obradoiro no que recolhem as equipas do anúncio que acava de rodar Ronaldinho. A jeito de modesto homenagem, ao tempo irónico e sentido, levo a mao direita ao coraçom e cito de memória um anaco de 'Deuses en Agrigento':
"Quiçaves seja esse o preço que pago
para que manhá cantem na minha tumba
os reisenhores".
Que cantem pois, quando menos cada vinteoito de febreiro, que bem merescido foi.
(Maria entende e comparte a homenagem. É-che o bom que tem a menina).
-Desculpas pola ligaçom em Espanhol, estou a agardar por umha web semelhante a essa no nosso idioma...-
posted by Sao Tomé 22:02
Domingo, Fevereiro 29
Crossroads in the night
Vai indo a cousa aos poucos. A tristura, como tudo, também apoussenta. Quiçais levo melhor o catarro. Quiçais vim gente pouco conhecida que gosto de ver, sempre tam amáveis. Quiçais me resta um bocado de fê nalgum movimento social.
De qualquer jeito as beleças desde ontem reduzem-se às que jurdírom das Cidades Invissíveisde Calvino, que é um desses livros aos que sempre retorno em tempos de crisse.
Decatei-me na noite de ontem como dependo de saír para me sentir bem.
Quiçais porque nos últimos tempos, coma tantas outras vezes, a minha vida transformou-se num cruze de caminhos, num lugar no que confluem os problemas de muita gente, várias vissitas, várias obrigas sociais...
E afinal preciso ter algumha noite na que tomar eu mesmo a decissões, sair com quem goste, falar de trapalhadas e inventar canções, dançar e me definir na dança, levar algum tipo de iniciativa e que algumha rapariga me sorria.
Nom é que precise muito mais, é certo. Mas quando faltam essas pequenas cousas, e se me junta a falta com a tristura que sempre traem os catarros, afundo-me.
Quiçais precise achar novos espaços de liberdade. Colher ainda mais as rédeas.
Continuamos no caminho. Melhorando.
E nom deixo de estar canso. (Sim, onde é que ficas?)
posted by Sao Tomé 01:29
E as gaivotas
(28/2 noite)
'Jamás llegará nadie a este lugar
Jamás llegará nadie a este lugar
y las gaviotas me darán tristeza'
(De novo Colinas.)
E nom som as gaivotas, mas o frio, este certo catarro, a consciência de dessastres de mais e a ausência de gente com a que estar neste inevitável estado vegetativo. E saber que a noite nom dará de sim porque o corpo nom dá de sim.
Fico sem esperanças para o que resta do dia. A saude minada mina-me a moral. Fago por tirar de enriba a cançom de João Gilberto que me vem acompanhando todo o dia, e escuito um seu concerto ('eu nom sei bem por quê/só sinto na vida o que vem de você').
Agardo contra toda lógica ainda a chamada ou o encontro idóneo para curar a tarde (e, já postos a agardar, curar também o catarro). Agardo pola aperta e mais polo licor café da noite.
Mas vai frio. Frio. E estou tam canso.
(Onde ficas?)
posted by Sao Tomé 01:26
|
Trapobana nom é que nom a haja, o que se passa é que é navegante, e hoje está cá e manhá acolá...
Álvaro Cunqueiro
"Si o vello Sinbad volvese ás illas"
Past
current
conta-me
algo |